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O primeiro aparelho de rádio de Fortaleza

Colunistas: 
Marcos Antônio

O primeiro aparelho de rádio de Fortaleza
 
Como o tempo voa! Parece que foi ontem... E, no entanto, o 1922 já vai ficando distante. E 16 anos são passados na ampulheta inexorável! 

Foi naquele ano do centenário da Independência, comemorado país afora com tantas festas deslumbrantes, que Fortaleza veio a possuir seu primeiro aparelho de radiorreceptor. 

Sua construção deve-se à habilidade curiosa do radioamador cearense Clóvis Meton de Alencar. 

Corria o mês de outubro. De volta ao Rio, onde fora assistir aos festejos retumbantes ali realizados, e onde tivera ensejo de assistir ao funcionamento de um aparelho de rádio, na residência do então ministro Francisco Sá, o engenhoso cearense meteu-se de corpo e alma na empresa árdua de fabricar coisa idêntica. 

Naquela ocasião, os receptores existentes na capital da República eram em número diminuto. 

Para consecução do seu desejo, lutou com várias dificuldades , principalmente com a falta de material adequado. 
Ainda no Rio tratou de munir-se do necessário. 

Percorreu inutilmente várias casas comerciais cariocas e grande foi a sua desilusão ao verificar que não havia permissão para a venda de tal material.

Por informação de um amigo, soube que a companhia West Electric, com estação experimental instalada no alto do Corcovado, a fim de funcionar durante a exposição centenária, tinha distribuído , a título de propaganda, no recinto da feira comemorativa, algumas lâmpadas receptoras (válvulas) 216-A, fabricadas por aquela empresa.

om não pequenos embaraços, comprou uma dessas lâmpadas pela importância de 150$000. Foi esse todo o material que obteve para o seu receptor, o qual trouxe para Fortaleza, onde desembarcou a 25 de setembro. 

Logo no dia seguinte deu início aos seus trabalhos, vindo a montar o receptor num simples pedaço de madeira medindo trinta centímetros de comprimento, tendo vinte e cinco de altura.

Os elementos componentes, tais como soquete, condensadores variáveis e fixos, resistência, bobinas e baterias afora a lâmpada adquirida na capital do país, foram confeccionados por ele próprio. 

O aparelho assim armado, apesar de nada ter de artístico, passou a funcionar satisfatoriamente. 

E naquele 4 de outubro, com um grupo de amigos, Clóvis conseguiu, a tantas horas da noite, ouvir, com perfeita nitidez uma audição irradiada do Rio pela estação, então em exériência no Corcovado, que era a Rádio Clube do Brasil. 

Foi grande a satisfação que sentiram todos, principalmente Clóvis Meton, que era a primeira pessoa que tinha ouvido radiotelefonia, não só em Fortaleza como também em todo o Norte do Brasil. 

Na opinião dos técnicos, a esse tempo, as transmissões radiofônicas pelas grandes estações de então tinham um alcance compreendendo de 5.000 a 10.000 metros. 

Assim, quando Clóvis disse a alguns amigos que estava construindo um receptor para captar as irradiações da Europa, eles levaram na troça, pois não podiam compreender que um aparelho tão rudimentar pudesse ouvir a uma tal distância. No entanto, graças à sua tenacidade, conseguiu o almejado desiderato, sendo esse aparelho de rádio construído exclusivamente devido ao seu próprio esforço.

O mestre que o encaminhou na organização desse receptor, foi foi uma brochura francesa de Consté, que ensinava a construção de um aparelho regenerativo para ouvir, em Paris, as irradiações da Tprre Eiffel. 

Do primitivo aparelho de Clóvis Meton, hoje nada mais resta senão os condensadores e as bobinas.

E foi esse o primeiro radiorreceptor que apareceu, na capital cearense, naquele 1922, que já vai ficando longe.
 
 
Menezes, Raimundo de 
Coisas que o tempo levou -crônicas históricas da Fortaleza antiga - Edições Demócrito Rocha ,2006. ( paginas 146 a 148)
 
O livro " Coisas que o tempo levou" foi publicado em 1938 , quando Raimundo de Menezes tinha 35 anos.
 
 
 
 
Divulgação e digitação: Site Eternamente Futebol